15/11/2019 | Contabilidade

Pesquisa & Desenvolvimento: tema do capítulo de hoje da série A Evolução da Agricultura


Por Essent Agro
Assessoria de Imprensa
Tempo de leitura: 3 minutos

Há algumas semanas, iniciamos a série Essent Agro “A Evolução da Agricultura”, abordando em vários tópicos as diversas mudanças ocorridas no campo nos últimos anos. Já falamos sobre manejo do solo e sobre o clima. Agora nesta semana o tema é Pesquisa & Desenvolvimento.

 

Nos últimos 40 anos, o Brasil saiu da condição de importador de alimentos para se tornar um grande provedor para o mundo. Foram conquistados aumentos significativos na produção e na produtividade agropecuárias. Hoje, se produz mais em cada hectare de terra, aspecto importantíssimo para a preservação dos recursos naturais.

Para compreender o Brasil do presente, vamos voltar 50 anos no tempo e viajar pela trajetória da agricultura brasileira através de alguns fatos.

Agricultura rudimentar

A agricultura brasileira era rudimentar em meados do século passado. A soja era uma curiosidade no Brasil, sem expressão para o mercado doméstico, menos ainda para o comércio internacional do país. Prevalecia o trabalho braçal na produção agropecuária. Naquela época, menos de 2% das propriedades rurais contavam com máquinas agrícolas.

O resultado era baixo rendimento por hectare e pouca produção. O crescimento da agricultura exigia que extensas áreas naturais fossem convertidas em lavouras e pastagens. Práticas inadequadas causaram severos impactos ambientais, como erosão e assoreamento. Mas as fazendas não produziam o suficiente para atender à demanda interna.

Processo de modernização do campo

O governo instituiu políticas específicas para aumentar a produção e a produtividade agrícolas, incluindo investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento, extensão rural e crédito farto. Era o início do intenso processo de modernização que a agricultura brasileira experimentaria nas décadas seguintes.

Entre os indicadores mais ilustrativos da trajetória recente da agricultura brasileira estão os números de produção e os índices de produtividade. Entre 1975 e 2017, a produção de grãos, que era de 38 milhões de toneladas, cresceu mais de seis vezes, atingindo 236 milhões, enquanto a área plantada apenas dobrou. 

Incrementos de produção e de produtividade também foram conquistados na pecuária. O número de cabeças de gado bovino no país mais que dobrou nas últimas quatro décadas, enquanto a área de pastagens teve pequeno avanço. Em determinadas regiões houve até redução de terras destinadas ao pastejo.

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A pesquisa agrícola para o desenvolvimento do campo

A trajetória recente da agricultura brasileira é resultado de uma combinação de fatores. O cenário para isto é um país com abundância de recursos naturais, com extensas áreas agricultáveis e disponibilidade de água, calor e luz, elementos fundamentais para a vida. Mas o que fez a diferença nestes últimos 50 anos foram os investimentos em pesquisa agrícola - que trouxe avanços nas ciências, tecnologias adequadas e inovações -, a assertividade de políticas públicas e a competência dos agricultores.

O caso da cultura da soja é um bom exemplo de como a tecnologia pode transformar a produção agropecuária. Os primeiros cultivos comerciais surgiram na década de 1960, no Rio Grande do Sul, especialmente por uma razão climática: a soja é uma planta de regiões frias e os cultivos no mundo se limitavam às proximidades do paralelo 30, que no Brasil passa por Porto Alegre. Cultivar soja em outras regiões do país era um desafio biológico e tecnológico.

Técnicas de melhoramento genético

As respostas surgiram depois de anos de pesquisas realizadas pela Embrapa, por universidades, por instituições estaduais de pesquisa agropecuária e, mais tarde, pela iniciativa privada. Com técnicas de melhoramento genético, foram desenvolvidas plantas de soja adequadas às condições de solo e clima do Brasil. Eram cultivares menos sensíveis aos dias longos e mais tolerantes às pragas do mundo tropical.

Adubação de solos

Outra contribuição radical tem relação com correção e adubação de solos. As pesquisas apontaram os caminhos para otimizar o uso de corretivos e de fertilizantes, permitindo o plantio nos solos de Cerrados, até então considerados improdutivos. Foi justamente nessas áreas que a soja ganhou terreno na agropecuária nacional.

A tecnologia e a atuação do produtor rural

Quando se considera a agricultura como um todo, a tecnologia explica, em grande parte, a evolução da produtividade. No período entre 1975 e 2015, os avanços tecnológicos foram responsáveis por 59% do crescimento do valor bruto da produção agrícola, enquanto o trabalho respondeu por 25% e a terra por 16%.

A tecnologia, no entanto, não teria sido suficiente sem a atuação do produtor e da produtora brasileira. Em parte pela postura empreendedora, com investimentos em terra, equipamentos, gestão, trabalho e conhecimento, e em parte pela coragem de encampar severas migrações.

Os desafios futuros continuarão sendo ainda maiores com o aumento da população e da demanda crescente por alimentos. Os questionamentos que ficam são: este processo pode ocorrer de forma sustentável? Quais os riscos envolvidos na atividade agrícola dos próximos anos? Que mudanças são esperadas? Quais oportunidades devem ser aproveitadas e quais tendências negativas merecem atenção? Como estabelecer uma relação mais equilibrada entre população, ambiente e produção de alimentos e energia?

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